O 3D pode valer a pena?

Publicado: 7 de julho de 2010 em 3D, Microsoft, Nintendo, PC, Sony
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Já faz muito tempo que o 3D existe. Não é algo novo, mas por causa da tecnologia da época, não era algo que dava muito certo: cores perdiam tonalidade e propriedade, o controle sobre o que deixar ou não em 3D não era tão preciso e, como a tecnologia também estava no começo, comercializar TVs com tal tecnologia e emissoras transmitirem conteúdo em 3D para isso era algo praticamente impossível, tecnologicamente e financeiramente. Pra época, ficou restrito a poucos locais como cinemas e “simuladores” (sabem, aqueles que a poltrona chacoalha e tudo mais? Nos parques da Disney existem vários). Além também da tecnologia (sim, não deixa de ser) que consiste em você fixar num ponto específico para ver uma série de imagens repetidas, seja numa página de revista, HQ, gibi e etc., só pra ter um “efeito legalzinho”. Maurício de Souza já fez isso algumas vezes lá no passado, garanto a vocês.

Mas agora o cenário mudou bastante. Já temos uma tecnologia bem avançada em comparação com a que tínhamos nos anos 80, início dos anos 90, e, em termos, ela está mais barata. Isso significa que não só há maneiras de se fabricar aparelhos domésticos com tal tecnologia como vende-los a preços não tão absurdos. Ou será que não? Bom, vai depender mesmo é do seu salário.

Podemos certamente falar que a nova explosão sobre o 3D se deu por conta do filme Avatar. Quase todos os filmes eram feitos da forma tradicional, mas Avatar foi pensado para isso desde o início. Obrigou empresas como Cinemark e outras do ramo a adaptarem suas salas para exibirem o tão aclamado na sua estreia mundial e assim, a partir daí, vários outras produções estão seguindo a fila. E não falo somente de filmes agora: falo de jogos e programação de TV.

Pouco tempo depois do lançamento do filme Avatar, uma das empresas que começaram a investir gigantescamente em cima de tecnologia 3D foi a Sony. Diferente da Samsung, LG e outras, a Sony anda investindo praticamente seu coração no 3D. Não só temos acesso a TVs com tal tecnologia como ela deixou seu PS3 preparado para receber jogos que façam exibição de imagens em 3D. Ainda no ramo dos jogos, a Nintendo também resolveu investir nisso e trouxe algo que, pra maioria, é inédito: ver imagens em 3D sem o auxílio de óculos. Para quem acompanhou a E3 2010, viu o lá o lançamento do tal Nintendo 3DS. Não dá pra colocar um vídeo aqui e mostrar pra vocês como isso funciona, mas há relatos e mais relatos de jornalistas que participaram da E3 2010 garantindo que o bichinho funciona e funciona muito bem. Para não ficar de fora, a Microsoft também já prometeu que irá incluir a funcionalidade do 3D no Xbox 360, mas até agora não mostrou nada a respeito.

Mas deixemos toda a discussão de quem poderá ser o melhor e tudo mais e vamos juntá-los todos num só saco e chegar onde quero chegar: você, que lê esse artigo, certamente já deve ter uma TV grande na sua casa, seja LCD, plasma, LCD-LED, DLP, CRT… Seja lá o que for. O apelo sobre as LCDs e plasma foi imenso e chuto que uma dessas duas tecnologias já esteja na sua sala. Você pagou o quê? Algo na faixa de dois a cinco mil reais? É o que a maioria anda pagando hoje por um novo televisor e o mais interessante: não se compra mais TVs como antes. Não só pela tonelada de informações que temos que nos preocupar hoje em dia, mas pelo que ela era dentro da sua casa.

As TVs de hoje são produtos que ficam obsoletos tão rápido quanto seu PC, notebook ou qualquer outro gadget que esteja usando pra ler isso aqui. Lembram como era antigamente? Se você comprasse uma TV das grandes – e o pior – ela fosse certamente cara, você fazia um bolão pra ver quem iria durar mais: seu colchão ou a nova TV. Era um negócio que ficava na sua casa por pelo menos uma década e a gente até se lembrava de histórias  da família em que ela participou vendo as manchas, riscos e eventuais mordidas, se você tem um animal de estimação em casa.

A alta rotatividade disso tem um lado bom: você, hoje, tem acesso às mais diferentes tecnologias num período mais curto de tempo. Mas ao mesmo tempo, seu investimento pode ir pro ralo de um mês para outro. E outro ponto importante: essa sua TV, seja de 26 ou de 60 polegadas, não é um negócio que poderíamos dizer que é fácil de jogar no lixo.

O primeiro problema em pensar em se investir em um novo televisor hoje não é pensar se ela vai caber onde você quer colocar, e sim qual será o destino do velho televisor, o que você está substituindo. Uma breve pesquisa que fiz (e aproveito para agradecer a todos os que perderam um tempinho pra respondê-la) acabou revelando que a maioria faz o que eu também acabo fazendo: mando a TV pra outro cômodo do apartamento. O problema é que não há um ciclo. Na verdade essa ação é uma linha reta: uma hora, o fim é transformar um dos cômodos da casa num depósito de velharias.

O que isso tem a ver com o 3D? Bom, são poucas as TVs que aceitam o 3D da maneira “adaptativa”, vamos chamar assim. Há de se cumprir certos requisitos para ver imagens em 3D com a tecnologia atual e enquanto a tecnologia LCD cumpre certos requisitos, deixa outros abertos, que certamente a Plasma cumpriria, mas que também deixa outros pontos abertos. E se quiser investir em 3D pra sua sala, é absoluto que terá que investir num novo televisor.

Não contente com esses problemas, apresento-lhes outros: não sei se chegaram a ler sobre tais coisas, mas o 3D não é uma tecnologia amigável pra sua cabeça, ou, mais especificamente, pro seu labirinto. Não precisamos ser drásticos e ficar pensando “vou ter câncer?” ou “meu filho vai adquirir déficit de atenção?”. É bem menos grave. Algumas pessoas são mais sensíveis e sofrem de vários incômodos ao ver algo em 3D por algum tempo, como náuseas, enjoo, tontura, desequilíbrio, dores de cabeça. Essas mais sensíveis sentem esses incômodos com alguns minutos, pouco menos de uma hora de “exposição” ao 3D. Ou seja, a maioria que reclama nesse período curto de tempo acaba sendo mais comum de serem vistos em sessões de cinema.

Mas não é dessa minoria quero falar, mas sim de todos nós. E a maioria, se for usar o 3D para jogar ou ver TV na sala, com certeza ficará bem mais tempo em contato. Para se ter uma ideia, os mesmos jornalistas que babaram e elogiaram o 3DS, também disseram que sentiram esses sintomas após algum tempo de uso do portátil. Assim como outros que, em outras situações, também reclamaram após o uso prolongado da função 3D. Se você é como eu, que em certas ocasiões pode passar horas jogando e/ou vendo filmes, fazer isso com o 3D pode se tornar complicado. E outra: pessoas que têm algum tipo de deficiência visual que as impeça de ver corretamente com ambos os olhos podem não conseguir ver em 3D, já que é necessário ter visão em ambos os olhos para que se consiga o efeito de profundidade do 3D. Essas pessoas que não conseguem ver em 3D são chamadas de stereoblinds.

Pra não dizer que deixei de mencionar, PC gamers já estão pelo menos uns dois anos na frente do mundo nisso: a nVidia já disponibiliza há algum tempo o que ela chama de 3D Vision, que não é tão exigente assim com requisitos aos monitores e, além de uma placa que suporte tal tecnologia, é necessário um óculos, mais ou menos igual ao que vemos hoje que são disponibilizados com as TVs 3D e nos cinemas.

Além de tudo isso existem as limitações da própria tecnologia atual. Limitações não só técnicas, mas também financeiras. Diferente do Nintendo 3DS, as TVs vão precisar de óculos especiais para que você consiga ver imagens em 3D. E é como no cinema: se você quiser que todos na sua sala vejam em 3D, todos deverão estar usando o tal óculos. E esse óculos tem um preço. Na europa, a Sony divulgou que os óculos dela irão custar entre 120 e 50 euros. Os óculos para usar o 3D Vision da nVidia pode custar 175 dólares e um óculos 3D para a tecnologia que se tem nas TVs 3D de hoje pode estar na faixa dos 100 dólares. No Brasil, a Sony, meio sem-noção, como sempre, liberou a pré-venda de televisores 3D num bundle com um preço nada amigável, começando em 12 mil reais e indo até os 16 mil reais.

Longe de dizer que 3D veio para tornar o mundo ainda mais cruel e que é algo que tem as mãos do demônio, muito pelo contrário, ela é uma tecnologia bem vinda. Mas, sinceramente, não vejo, no momento, como algo que seja digno de um boom de consumo no mercado justamente por todos esses fatores. Não dá pra negar que ver um filme em 3D no cinema dá uma experiência melhor e que jogar algo em 3D dá uma imersão maior. Só que apesar de termos avançado muito em comparação com a tecnologia dos anos 90, ainda é uma coisa um tanto crua e pouco amigável para se falar que pode ser algo que realmente valha a pena ter em casa para todo mundo ver. Talvez eu acabe investindo uma graninha num Nintendo 3DS, principalmente pelo preço e por ser algo que não vou jogar por muito tempo. Um televisor 3D só daqui, que sabe, cinco anos ou uma década, pra ver o quanto a tecnologia melhora até lá, pois até agora não me convenceu a compra-la.

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