Banda larga: quem paga mais caro?

Publicado: 13 de agosto de 2010 em Geral

Esse post não tem o intuito de criar uma “conspiração”, fazer propaganda, ser ativista de sofá ou coisa do tipo. É só pra compartilhar a pulga a trás da orelha que tenho com alguns dados.

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A Telefônica anda anunciando a redução dos preços do Speedy, seu produto do mercado de banda larga aqui no Brasil. Hoje, quem contrata uma conexão de 2Mbit vai tirar do bolso cerca de 69 reais e uns quebrados. Mais barato do que os  89,90 que eu pagava pela mesma conexão, para a mesma empresa, há um ou dois meses. Sei bem que alguns usuários da Oi/BrasilTelecom iriam dizer que está a preço de banana, pois alguns estados o preço da banda larga chega a ser abusivo para os padrões de hoje. É como se São Paulo estivesse em 2010 e regiões do Norte e Nordeste estivessem na São Paulo de 1996.

Há fatos que não podem ser contestados, como por exemplo que a população de São Paulo tem uma renda per capita maior que a da população de estados como Sergipe, Ceará ou Bahia. E que a infra-estrutura, sendo feita através de empresas de telecomunicação privadas e não estatais (por privadas, entendam como que mais do que 50% do controle está em mãos da iniciativa privada e não do governo, que pode ter parte em empresas sim, como é o caso das economias mistas), não visa só benefício da população, mas também e principalmente o lucro dessa tele. Para que uma tele lucre com uma infraestrutura, são necessários pagantes. Somos eu, você… consumidores de serviços. Só pra ilustrar o negócio e dizer que não estou ignorando isso lá na frente, para que se calcule o valor de quanto o consumidor irá pagar por um serviço desse tipo, é feito uma pesquisa para saber a condição econômica dos que vivem na área em que o serviço estará disponível e o quanto foi gasto para cabear aquela área. Visto isso, vão oferecer um acesso de “x” mbits ou kbits por um preço “y”.

Como Brasil não é Japão em questão de área, sai muito mais caro para as teles cabearem o Brasil inteiro do que se o mesmo Brasil tivesse a área do Japão. Esse páis que “malemá” tem a área de São Paulo (e que fica menor se for calcular a área habitável), consegue ter uma infraestrutura decente não só por conta dos investimentos e tecnologia disponível lá, mas também pela pequena área que o país ocupa. Então já fica aqui o por que de eu não achar justo futuros comentários dizendo “ah, mas Japão tem link de 1Gbit por ‘x’ dólares-ienes/mês”. Não é justa a comparação. Vamos voltar, portanto, ao Brasil.

Como a Telefônica opera somente dentro do Estado de São Paulo com seu serviço de banda larga, talvez você ache que aqui dentro nós temos coerência nos preços cobrados, diferente de qualquer que seja o Estado em que você mora. Vou te falar que não é bem assim e posso te deixar ainda mais inconformado com a situação dos preços de banda larga pelo Brasil.

Hoje, aqui em São Paulo, temos grandes empresas de tele responsáveis pelo serviço de banda larga, o que pode dar mais opções de preços e escolha ao consumidor, além da concorrência, o que é bom. As principais são a TVA, com seu @jato, a Telefônica, já citada, a NET, com seu Vírtua e, a mais recente, a GVT, que veio para brigar feio contra os preços da Telefônica e NET, principalmente. São elas as principais. Mas quero só mostrar uma coisinha dentro da própria Telefônica.

Há algum tempo já a Telefônica comercializa um serviço chamado Xtreme. Disponível em alguns bairros de São Paulo e poucos municípios da tal Grande São Paulo, o serviço consiste em uma das melhores tecnologias para banda larga que é a fibra ótica. Em termos técnicos, chamam isso de FTTH ou FTTB, sendo Fiber To The Home (fibra até a sua casa) e Fiber To The Building (fibra até o seu prédio, para os que moram em apartamento). A velocidade comercializada hoje pela Telefônica é de 30Mbit. E aí alguns pensam: “porra, se eu pago um absurdo por essa merda que tenho, 30mbit deve ser astronômico”. É… Não é, José…

Outro cálculo que gosto de fazer para ver o quão barato está um serviço de banda larga é ver o preço que pago por megabit. Aos que não estão entendendo, você NUNCA contrata um serviço de banda larga em “megabyte”, mas sim em MEGABIT: 2mbit, 5mbit, 10mbit… Se quiser saber o máximo que pode baixar, em KILOBYTES/seg, é só pegar o valor que contratou, multiplicar por 1024 e dividir por 8. Por exemplo: 2mbit * 1024 / 8 = 256 KB/s. Aproveitando, a nomenclatura correta para o que termina com BYTE é o “B” em maiúsculo. O “b”, assim, em minúsculo, é para “bit”. Contrata-se 2Mb e não 2MB. Chatinho, mas é assim. Desculpa não aprofundar a mais nisso, mas é só pra não deixar quem lê e não entende boiando. E aos que entendem mais disso, se errei em algo aqui, favor comentar que corrijo as soon as possible (ASAP).

Bom… O preço por megabit contratado é fácil. Uma regrinha de três acaba com o problema… Mas vamos comparar entre os 2Mbit do Speedy e os 30Mbit do também Speedy, mas Xtreme, por fibra:

Pro Speedy de 2Mbit, fácil: 69,90 reais/2 (já que são 2mbit) = 34,95 reais/megabit.

E o Xtreme? “Um absurdo”, você imagina…

Xtreme: 119,11 reais/30 (30mbit) = 3,97 reais/megabit

A estrutura do Speedy comum, que utiliza os cabos de telefonia, serviço de aDSL, já existe há anos no estado de SP. Não ignoremos o fato das manutenções, da modernização de equipamentos, da quantidade de assinantes que se multiplica a cada dia, da expansão na infraestrutura que se necessita para dar conta desses novos assinantes… Enfim. Mas é uma coisa que parece já ter tido o retorno do seu investimento em toda a maioria dos locais onde o serviço já existe há pelo menos 4 anos. A incoerência no preço, de ambos, ouso dizer, é que a infraestrutura do serviço Xtreme em São Paulo é muito mais cara: precisou de novo cabeamento, novos equipamentos, nova mão de obra e tem muito menos assinantes do que o serviço em aDSL.

Somente por essa lógica do valor por megabit, vemos que a fica difícil depois defender o por que de cada valor, principalmente do link de 2mbit do Speedy. Quem dirá então dos links de outros estados, onde um link de 500Kbits pode ter o valor de 100 reais. Nela, um assinante da fibra ótica deveria estar pagando mais de mil reais/mês pelo link de 30Mbit. Ou que o assinante do plano de 2Mbit deveria estar pagando, no máximo, oito reais/mês.

Impostos? Não poderia ser o único motivo, mesmo que a carga seja relativamente alta aqui em São Paulo, sendo de 25%, ela não responde totalmente por isso. Baixa margem de lucro no Xtreme, por medo de falhas catastróficas por ser um novo sistema? Quem sabe? Alta margem de lucro, vulgo mina de dinheiro, em cima de algo já certo e com muitos assinantes? Bem provável.

Há outras incoerências em serviços de outras operadoras, até mesmo de banda larga móvel, além de incoerências internas, como acontece com a Telefônica nesse serviço. Mas só peguei esse em particular porque já fui assinante do Speedy comum, aDSL, e hoje sou assinante do serviço Xtreme. E quando vejo na TV o preço de um serviço que vai atingir “n” classes com os dizeres “em conta” ou “barato”, já vejo que a coisa não tá assim como se pensa realmente.

comentários
  1. […] This post was mentioned on Twitter by Johnny C, Bruno Maeda. Bruno Maeda said: Banda larga: quem paga mais caro?: http://wp.me/pYiFl-1f […]

  2. Bruno Silva disse:

    “É como se São Paulo estivesse em 2010 e regiões do Norte e Nordeste estivessem na São Paulo de 1996.”

    Meu caro.. eu moro em pernambuco, e felizmente, eu não concordo com sua afirmação, até porque o que você paga na Speedy em 2 Mb, eu Pago na GVT em 10 Mb…
    Fikdik

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