Uma hora enjoa [+COD: Black Ops][+Novelão][+Comparações]

Publicado: 16 de janeiro de 2011 em PC, PS3, Xbox 360

Sabe aquele ditado que diz “em time que está ganhando não se mexe”? InfinityWard e a TreyArch ficaram assim um bom tempo com a série Call Of Duty. Afinal, a série que foi lançada principalmente para desbancar outra série de sucesso da época, Medal Of Honor, teve seu êxito e assim permaneceu. Costumo colocá-la como o Need For Speed dos FPS de guerra. Afinal, todo ano saem um ou dois títulos da série que vendem como se a InfinityWard e a Treyarch fossem donas da única barraquinha que ofereça água no maior deserto do mundo.

Nem vou comentar da novela que aconteceu em relação à série e a InfinityWard e a Activision. Foda-se isso, por enquanto. O que interessa é o seguinte:

Enquanto estava em NY (e deixo pra falar disso outra hora), preso na neve, acabei comprando de última hora o Call Of Duty: Black Ops. Afinal, joguei TODOS os jogos da série desde o primeiro deles e foi amor à primeira vista. E desde então, todos os jogos que tenho jogado foram só elogio (kinda…). Uns negócios que me irritam na jogabilidade aqui e acolá, mas nada que me fizesse falar “mas que jogo de merda”.

Até ontem.

Ontem, depois de chegar de um breve lanche com uns amigos no The Rockets aqui em São Paulo, decidi que iria pegar COD: Black Ops pra terminar a campanha. E assim foi. Jogando do zero até o final, como sempre, prestando o máximo de atenção nos detalhes do jogo e da sua estória. A estória se passa na época da Guerra Fria, com um grande pano de fundo do passado de Mason entre as décadas de 50 e 70, época da Guerra do Vietnã. Você, na pele de Mason, está sentado interrogado por gente que você ainda não faz ideia de quem seja em relação à certos números, enquanto o seu país (EUA) está a beira de um ataque da URSS e países aliados à ela. O jogo em si se passa em 99% do tempo nas lembranças de Mason, enquanto ele é interrogado. E como é da tradição da série, você acaba vendo essas lembranças e vivendo essas estórias do ponto de vista de outros personagens que você encara.

Essa fórmula de contar a mesma estória de pontos de vistas de diferentes personagens jogáveis é bem interessante. Continua interessante, aliás. Tanto é que o remake da série Medal Of Honor agora fez isso também. E já já eu volto nesse jogo.

Num geral, Black Ops é bom? É. Mas está longe da excelência dos jogos anteriores. O som é ótimo, como sempre, a TreyArch adicionou um pouco mais de gore ao jogo, deixando um pouco mais interessante, mas fatores da jogabilidade/gameplay e, dessa vez, a estória em si, foram grandes pontos negativos, IMHO.

Convenhamos que só de se falar sobre a Guerra Fria você pode criar teorias da conspiração gigantescas, sejam elas bem elaboradas ou não. O bom foi que a TreyArch não focou, novamente, na questão da Crise dos Mísseis e nem nas ogivas nucleares de ambos os lados da Guerra Fria. Escolheu criar uma trama, ainda envolvendo armas de destruição em massa, da sua cabeça. O ruim é que, talvez por não focar no clichê (nem todo clichê é ruim), ela própria se embaralhou e complicou demais a estória, tornando-a difícil de contar através da gameplay sem tornar a estória e a gameplay coisas chatas.

A estória poderia ser muito mais profunda e ter menos encheção de linguiça no seu desenrolar. Assim como foi com Modern Warfare 1 e 2. Mas como reclamaram que a campanha single player de ambos os títulos era curta demais, a TreyArch deve ter tentado alongar a estória dessa campanha na jogabilidade, e aí não devem ter tido imaginação o suficiente pra preencher as lacunas com coisas interessantes.

Chega uma hora que enjoa. Quando você percebe que o jogo ainda vai te mostrar o ponto de vista da mesma missão de um ou dois personagens depois de ter visto pela cara do principal, você desanima. Principalmente quando começa a jogar desses outros pontos de vista e, até chegar no ponto de encontro desses personagens, não houve nenhum fato que importasse. Nem acrescenta informação útil, nem retira informações. Preenchimento de espaço somente, ou, gordura. Há muitos pontos da estória que poderiam e deveriam ser contadas somente com uma breve cutscene, mas na decisão de prolongar a estória, o que era pra virar uma trama conspiratória de nível cinematográfico, acabou virando um novelão. Só faltou aparecer o Totó, armado, fardado, tatuado e com uma bandana na cabeça no meio da selva vietnamita (sim, eu assisto novela de vez enquando).

Outro ponto que, nesse exato momento, começa a incomodar e ficar com um pé atrás com o título antes mesmo de comprá-lo é a engine. Call Of Duty: Black Ops está utilizando a mesma engine, com alguns remendos, de COD: World At War, que serviu de base, com alguns remendos, para Modern Warfare da InfinityWard, que serviu, com mais remendos, para Modern Warfare 2. Enfim, os mesmos probleminhas da jogabilidade que você vê em World At War estarão em todos esses outros títulos, inclusive em Black Ops. Todos eles, com o passar dos tempos, tiveram suas devidas melhorias, mas certas coisas não mudam. A sensação de estar colocando um cartucho na arma onde metade das balas são de festim e a metade é verdadeira, os mesmos efeitos, a falta de precisão das armas jogando nos consoles, os mesmos sons de armas vindos de títulos anteriores… No fim, só mudam a “roupagem”. Os gráficos, sons e jogabilidade são os mesmos. Inclusive os mesmos defeitos.

Se um número como nota te interessa, daria nota 7 para Black Ops. Não é ruim, mas passou longe de ser um Call Of Duty que, pelo menos eu, esperava que fosse. E ele próprio sinaliza que é necessário fazer mudanças na engine. Nem que pra isso demorem alguns anos. Assim como fizeram com Medal Of Honor.

Também comprei esse jogo enquanto estava lá. Só não joguei online ainda porque comprei usado na Gamestop e o online pass já foi usado, o que vai me obrigar a gastar 10 dólares pra que consiga usar o modo online. Baratinho, mas agora não estou com tempo nem dinheiro sobrando pra gastar com mais coisas relacionadas a jogos.

Medal Of Honor cai em um clichê, sim. Guerra moderna, acabam falando das guerras mais recentes no Iraque e Afeganistão, usando todo o aparato tecnológico que todos gostamos de ver em Modern Warfare. Apesar disso, a estória é um tanto curta. Não tão curta quanto Bad Company 2, que é extremamente curta, mas curta o suficiente para agradar e não longa o suficiente para que não canse.

Além disso, usa a engine FrostBite, da DICE, que vem sendo melhorada desde Battlefield: Bad Company. Medal Of Honor não voltou a ser o que a série sempre foi, felizmente, pois isso significaria que estaríamos jogando com um personagem que é o “exército de um homem só”. Algo que Call Of Duty poderia começar a utilizar, pois a I.A. dos NPCs amigos é ridiculamente estúpida e inútil. Medal Of Honor ganha um gostinho dos primeiros Call Of Duty, por ser o primeiro da série a te introduriz num grupo e esse grupo realmente te ajudar nos combates, além do que também começa a usar o conceito de diferentes pontos de vista para a mesma missão, utilizando-se de vários personagens interligados numa só trama.

Apesar de ter aquele ar de “I wanna be a Call Of Duty“, o jogo faz o que deveria fazer: renova ares. É um novo jogo, numa boa engine com uma gameplay muito boa. Melhor, na minha opinião, do que Black Ops, tanto no sentido da mecânica da jogabilidade em si como no quesito de como contar a estória de forma clara e não cansativa.

Recomendação final? Jogue ambos, afinal “gosto é que nem cu”, dentre outros ditados de ideia similar. Mas recomendo muito mais Medal Of Honor à Black Ops. A experiência é muito mais divertida e gratificante.

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