Need For Speed: The Run – Review

Publicado: 17 de novembro de 2011 em Sem categoria

Quando Need For Speed: The Run foi anunciado, eu ainda estava jogando e delirando com o Need For Speed: Hot Pursuit da Criterion. E Hot Pursuit foi um jogo que resgatou muito do que a série era antigamente, além de “consertar” a jogabilidade da série, com o toque que só a Criterion sabe fazer (Burnout está aí pra mostrar que ela sabe o que faz em termos de jogos de corrida).

Fui vendo o nascimento de The Run aos poucos. E uma das críticas que tive à nova série é que usaria a engine Frostbite 2, a mesma de Battlefield 3. Pros PCs, ótimo. Só que eu já havia visto como Battlefield 3 iria ficar nos consoles e não achei nada agradável. Logo após isso, divulgaram que o jogo seria baseado numa estória sobre ter que cruzar os EUA de costa a costa. Sobre cruzar de costa a costa, ok, mas quando li sobre ter uma estória, logo lembrei de Most Wanted e Undercover, que não tinham uma estória boa. Aliás, não existe um jogo da franquia Need For Speed com estória boa. Até me arriscaria a dizer que todos os jogos de corrida que possuem alguma estória não a tem com qualidade alguma, mas acho que seria generalizar até demais. Mas isso fica pra outro post…

Logo depois, foi anunciado que The Run seria o primeiro jogo da série que traria uma experiência de jogo fora do carro. E é aí que vi o desastre acontecer. Isso foi mostrado na E3/2011 e esclareceu alguns pontos: não era uma movimentação livre, mas sim quick-time events. E depois disseram que o jogo só teria uma demo nos consoles, e não no PC. E alguns meses depois, a demo apareceu nos consoles e joguei. Dá pra perceber que a versão PC, como em Battlefield 3, foi a versão base, pois o tanto que tiveram que capar do jogo em gráficos para que ele rodasse me deu a impressão de ter voltado uma geração.

Eu havia feito a preorder dele antes de todos esses anúncios via Origin. Foi um tiro no escuro, mas que infelizmente pegou em alguma coisa que eu amava. The Run é um jogo indefinido, que não sabe o qual o tipo de experiência que quer passar ao jogador, com problemas de design bem chatos, uma trilha sonora meia boca, mas que, no geral, gera um jogo desafiador. Não sei bem se desafia porque realmente é difícil ou porque a jogabilidade é uma porcaria e o jogo usa isso como desafio para ser jogado.

The Run foi feito pela EA Blackbox, a antiga Blackbox Games cujo currículo envolvem títulos como Need For Speed: Hot Pursuit 2 (2002), Need For Speed: Underground e Underground 2, NFS: Most Wanted, NFS: Carbon, Need For Speed: Pro Street, Need For Speed: World e finalmente, agora, The Run. Sinceramente e particularmente, os únicos dessa lista de títulos da franquia Need For Speed que gostei e joguei foram Hot Pursuit 2, pelos carros, Underground, pela novidade de modificação e “xuning”, ProStreet, pela esperança de terem consertado a dirigibilidade e Most Wanted, que me deu as melhores perseguições policiais até a Criterion dar um reboot na série Hot Pursuit. De resto, nenhum deles dá pra falar que me agradou, coisa que pode ser bem diferente pra alguns.

A começar pela estória, é um clichezão. Você encara um personagem que, por causa de ambição e burrice, acabou tendo dívidas com a máfia. E pra conseguir uma grana, decide apostar suas últimas fichas e habilidades numa corrida, que além de supostamente quitar seu débito com a máfia, renderia ainda uma grana de lucro. O clichê não é ruim. O modo estória, chamado de The Run (HERP DERP) até diverte, misturando corrida com perseguições policiais, fuga contra a máfia e até de tiros que, diferente do mostrado na demo da E3, podem fazer você se ferrar no jogo rapidinho. As vezes em que você sai do carro e tem que controlar o personagem, como já disse, são baseados em quick-time events. Aperte um botão ou uma combinação deles quando o jogo pedir e pronto. E só. De certa forma foi legal colocarem isso, porque você acaba sendo forçado a prestar atenção na estória. E só serve para isso isso mesmo, porque o jogo conta com quick-time events bem fáceis, mesmo no Hard, que é a dificuldade que comecei jogando esse jogo. Portanto, não espere desafios dignos de God Of War, ou, sendo mais hardcore, Guitar Hero no modo insano. É algo que sua mãe jogaria, mesmo tendo aquele tempinho pra olhar no controle antes de apertar o botão certo (ou errado). Esse modo estória rende, em média, duas horas de gameplay. Pra ter uma ideia, a campanha Call Of Duty tem, em média, cinco horas de duração. Battlefield 3, o pinto pequeno dos FPS em modo campanha, tem em média três horas e meia, quatro horas de duração. É um jogo com uma campanha pequena, mas que diverte na medida do possível. E por isso, acaba sendo melhor se concentrar no multiplayer ou no modo Challenge, que também é bacana.

O que mais falta, na realidade, é um modo que explique um pouco do que é a dirigibilidade em The Run, pois como falei, é a coisa mais indefinida nesse jogo. Se você está acostumado com os drifts insanos e maneiros de Need For Speed: Hot Pursuit, da Criterion, vai sofrer um bocado. Se eu tentar definir o que é a jogabilidade de The Run, diria que é a mistura de Underground com Pro Street e umas pitadas de Hot Pursuit 2, de 2002. Não entendeu? Pois é, é difícil de descrever mesmo. Enquanto o jogo te mostra que ele quer que você tenha experiências diferentes em pisos diferentes numa mesma corrida, como sair do asfalto pra terra e vice versa, da neve pra uma pista congelada, subidas e descidas rápidas que fazem o carro perder momentaneamente a aderência com a pista e também o controle, ele peca em te dizer como é que você vai controlar o carro. Você vê e percebe que também tentaram colocar um pouco das diferenças entre carros de diferentes tipos de tração. Um carro com tração dianteira acaba saindo mais de frente e maior dificuldade pra fazer curvas (understeer), um carro com tração traseira geralmente joga mais a traseira em curvas rápidas e um carro com tração nas quatro rodas em tempo integral geralmente faz curvas muito mais rápidas, mas fechadas demais (oversteer).  Tudo isso pede um controle maior sobre o carro e The Run peca muito em te explicar como isso acontece. Primeiro porque ele não explica. Não existe um modo tutorial, que apesar de criticado por muita gente por nos chamar de retardados (e em muitos casos, isso é uma grande verdade), aqui seria necessário, já que os carros são “duros” em alta velocidade e ora você tem que usar o freio de mão, ora o freio do “pedal”, ora ambos, ou nenhum. A única coisa que ele te fala sobre isso é que, quando for escolher um carro, há a seguinte informação sobre a dirigibilidade dele: fácil, normal, difícil, muito difícil, desafiadora. Só que daí, jogando, você percebe que nem sempre um carro com dirigibilidade desafiadora é tão difícil assim e que um carro taxado com dirigibilidade fácil fica extremamente difícil de controlar em certos momentos do que um taxado como muito difícil ou desafiador. Confuso? Pois é.

E existem alguns problemas no design do jogo. Ora algo é completamente destrutível, ora essa mesma coisa cria uma parede invisível que regaça seu carro. Você pode arrebentar as portas de um celeiro, que são de madeira, mas as paredes dele, que também são de madeira, dão perda-total no seu carro. Em um momento, você carrega os postes de uma cidade toda “no peito”. Noutra hora, um pequeno stand de jornais na rua é indestrutível. E noutra hora, esse mesmo stand é regaçado por você, deixando aquele monte de jornais no ar e um stand destruído. É algo que parece que funciona de forma completamente aleatória em alguns momentos e que estraga o divertimento. E sobre regaçar o carro, há um sistema de reset à lá GRID/DiRT/F1 201x. Não é tão elaborado quanto o da Codemasters ou da Turn10, com Forza, onde você volta onde quiser no tempo. Ao passar dos trechos, existem checkpoints. Se você bater o carro, volta exatamente naquele checkpoint. Só que não é só você quem volta, fazendo você perder segundos e segundos de seus oponentes. O jogo todo volta: seus oponentes, o tempo restante para completar a corrida e etc. E como nesses outros jogos que citei, você tem um número limitado de resets por corrida. E aí mora outro problema…

O jogo tem um mecanismo de detecção para saber quando ele vai dar o reset automaticamente, pois ou você faz isso manualmente, pressionando o botão de reset (back, no gamepad do Xbox 360, que uso aqui pra jogar no PC) ou o jogo faz por você. E nessa de fazer por você, há uma disparidade absurda sobre isso. Algumas vezes (muitas vezes) você vai perder o controle do carro e voar fora da pista. Um precipício? Reset OK. Muito longe dentro de uma plantação? OK. Mas tem horas que por alguns centímetros fora da pista, passar por cima de uma pedra já ativa esse sistema de reset, coisa que é chata e não prejudicaria tanto assim sua corrida e nem te daria vantagem.

E mudando de assunto, não dá pra falar de The Run sem comentar o uso da engine de Battlefield 3, a Frostbite 2. Em The Run, assim como em Battlefield 3, deu um visual muito bom se formos falar de efeitos visuais. Fumaça, “sun flare”, as pistas, fogo, e principalmente a modelagem dos personagens são de babar. Até mesmo nos consoles. O problema fica por conta das texturas, mesmo no PC. Aqui, não é toda hora que o jogo vai te presentear com gráficos de cair o queixo, muito pelo contrário. Algumas texturas são dignas de jogos de início de geração, fazendo você se perguntar por que decidiram usar essa engine, além de simplesmente mostrar que ela pode ser usada em qualquer título que não FPS. O problema é que, no PC, por utilizar a mesma engine, veio também com o mesmo bug que ainda também não foi corrigido em Battlefield 3: deixar o vSync ligado gera umas travadinhas chatas durante todo jogo, em qualquer configuração.

Os carros sofrem algum dano, mas é puramente estético. Não espere baixa performance se estiver com o carro todo quebrado. E também não espere muita coisa disso. É simplesmente visual.

The Run também, IMHO, conta com uma das piores trilhas sonoras para um jogo de corrida que já vi até hoje. O som ambiente, apesar disso, é fantástico. O ronco dos motores dos carros é excelente e conta com bons detalhes, como o barulho da redução brusca de marchas fazendo o motor subir RPM e cuspir fogo pelos escapes.

No fim, Need For Speed: The Run fica pela experiência multiplayer, que é boa e desafiadora, mas como a jogabilidade é a mesma, os mesmos erros e problemas que rolam no modo single player rolam no multiplayer também. Mas ter outro humano pra desafiar já fica mais legal. Os oponentes em single player são desafiadores e fazem você usar e abusar das habilidades também, mas como a campanha e o modo Challenge são curtos, sendo o Challenge o mais longo deles, o multiplayer é quem sobra para uma diversão mais duradoura.

Mas mesmo que você só compre Need For Speed assim como uma maioria compra Call Of Duty, que é só pelo multiplayer e passam longe do modo single player, eu diria que o veredito final é que vale uma locação. Comprar seria dinheiro jogado fora. Mas se você, como eu, joga Need For Speed desde o primeiro, feito em conjunto com a Road & Track, e não aguentou esperar e simplesmente precisa jogar, mesmo sabendo que pode ou não ser uma bomba, compre, porque nem eu teria moral pra falar o contrário.

Need For Speed: The Run saiu dia 15 para PC, Xbox 360, Playstation 3, Wii, Nintendo 3DS e pode ser comprado digitalmente para PC por meio da loja digital da EA, a Origin, por R$99,90.

comentários
  1. FSP disse:

    Concordo com tudo que foi dito, e, no multiplayer ainda é pior a questão do Reset, uma saída sem pra grama que o jogo resolve te dar Reset e você perde 2 posições ( e aqui minha maior reclamação, não tem sentido a “volta” do reset, uma hora eu volto grudado atrás de quem acabou de me passar, outra hora volto 10km atrás de onde estava ) e aí…acabou a corrida.

    Acredito que seja um jogo mediano, não é tão divertido quanto Hot Pursuit, mas, no meu caso pelo menos valeu pela compra, primeiro porque sou, como você, um viciado em Need for Speed desde o primeiro ( 1 das poucas séries que zerei todos os jogos para PC ) e tinha que zerar esse, e segundo porque peguei 1 promoção show de bola que me deu o Hot Pursuit de graça ( que zerarei de novo depois de brincar no The Run )

    Vale pelo multiplayer, mas ainda prefiro o Hot Pursuit se for para o mesmo fim ( será que o povo ainda joga bastante ele? Espero que sim )

  2. Sainz disse:

    E qual a maneira de me safar no inicio, quando estamos de maos amarradas dentro do carro sendo esmagado?
    ja tentei de tudo e nada… a meio dessa cena apareçe um rectangulo todo branco piscando…

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