Quando comprei um smartphone

Publicado: 15 de abril de 2012 em Geral
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Parece que estou escrevendo isso em 1998, 2000… Mas não, é algo que eu queria compartilhar agora mesmo, depois de uns três anos entre decepções e informações.

Saindo da era jurássica

Eu não comprei meu primeiro smartphone olhando pesquisas, pedindo opiniões, nem nada. O real motivo pra eu ter investido num celular que custasse mais do que 400 reais foi que eu talvez iria tomar mais cuidado com ele e, pensando no preço, iria evitar perdê-lo a qualquer custo. Motivo esse, aliás, que foi desencadeado pela perda do meu antigo celular, um Nokia modelo-que-eu-não-lembro que havia pago bons 100 reais na época. E era bom (aliás, até hoje, se eu for analisar bem, acharia bom um desses por “n” motivos), mas eu não ligava em perdê-lo ou tê-lo roubado ou furtado. Por mim, foda-se. E se tivesse um ainda hoje, estaria pensando da mesma forma…

O primeiro smartphone que ousei a comprar foi um Samsung Galaxy 5. E como queria essa merda logo e não estava muito a fim de esperar, fui à uma Fast Shop do Shopping Bourbon, em São Paulo. Lá, o único modelo disponível era uma tal de versão “princesas”. Promocional. Perguntei se o telefone era rosa e fui informado que não. Então… Foda-se! A caixinha era rosa, o wallpaper era rosa, eu poderia modificá-lo depois e tudo ficaria certo. Motoboy usa capacete rosa e ninguém abre o vidro pra gritar “aê, bichinha!”. Não seria com um celular que isso iria acontecer.

A decepção por falta de informações

O Galaxy 5 vinha com o Android 2.1, o “Eclair”, assim denominado. Ainda hoje acho uma build extremamente inacabada e horrível de se usar, mas era o que vinha e era o que eu tinha como disponível. Mas, ainda assim, o primeiro pensamento de alguém que não se informou ou nunca vai ser informar ao pegar um celular com Android é: “são todos a mesma coisa; tudo roda e funciona do mesmo jeito em qualquer outro celular”.

Olha… Não é assim, não…

Eu fui nesse pensamento. Até porque, vejam bem o motivo d’eu ter optado a gastar dinheiro com um smartphone. Eu não estava interessado se ele ia ser algo que iria acrescentar algo de bom ou ruim no meu dia a dia. Eu queria um celular que me fizesse ter mais cuidado em não perdê-lo usando o fator psicológico do custo: se é caro, não o perco. E ir nesse por esse pensamento é onde você fode. E eu me fodi (kinda).

O Galaxy 5, assim como qualquer celular que custe abaixo dos 500 reais, são considerados celulares “low-end”. Eles são baratos não porque usam Android, mas porque o hardware deles têm muito menos performance. A tela touchscreen não é “multitouch” (não aceita mais do que dois toques simultâneos, à grosso modo), pouca memória ram, pouca memória de armazenamento, processador de único núcleo e de baixa frequência… E por aí vamos indo. Já o Android, em tese, se preservarmos a versão usada, ele continua a mesma coisa em um celular de 200 reais e em outro de 2000 reais. Por ser de baixo custo e por ter essas características, o sistema dele acaba rodando de forma mais lenta, preguiçosa. E isso irrita, na maioria das vezes, quem não tem muita paciência e espera que a coisa funcione sem esperas quando você precisar dela (meu caso aqui).

O tanto que xinguei o Android por conta disso não cabe num post. Mas reconheço o seguinte: boa parte disso foi porque eu não me informei e esperei muito de algo que é sabido que oferece muito pouco. Por outro lado, isso não tira meu ponto de que continuo achando celulares low-end com Android uma completa bosta, além dessa fragmentação do sistema ser um negócio chato pra cacete…

Eu queria (quero) que as coisas funcionem bem. Ponto final. Que, quando eu precisar, o aplicativo vai iniciar, eu vou conseguir usá-lo sem surpresas desagradáveis e sem precisar fazer gambiarras ou perder meu tempo reconfigurando coisas que, na minha opinião, já deveriam ser bem configuradas por padrão. Se eu quisesse perder tempo fazendo isso, eu colocava um PC nas costas e recompilaria uma distro Linux a cada ligação. Só que ninguém quer isso.

Por que você só está pegando no pé do Android? E o iOS? E o MeeGo, Symbian…? Você é MacFag?

Não. Não sou macfag, apesar de ter um iPad 2 e um iPod. Eu pego no pé do Android aqui porque o modo em que ele é usado se difere muito do modo de uso do iOS.

O iOS, da Apple, não sofre essa fragmentação exagerada. Você não vai, em termos, encontrar um iPhone 4i, um 4r, como se fossem celulares de menor performance. Para que se tenha uma melhor performance e experiência de uso (IMHO), a Apple prefere lançar um único modelo de celular e obrigá-lo a usar somente aquele se você quiser um celular com o iOS instalado(aqui estou excluindo opções como comprar modelos mais antigos, usados ou não, coom 3G, 3GS e 4). Como o iOS é feito, em tese e bem à grosso modo, para um único hardware, você sempre vai ver o sistema funcionando bem naquele celular que foi lançado.

Isso tem um peso no seu bolso, não é todo mundo que tem como aguentar esse peso e isso não o torna o melhor sistema para celulares do mundo. O melhor do mundo ou é o melhor porque é o único, mesmo sendo ruim, mas por ser o único na categoria, não ganha comparativos; ou é aquele que se encaixa nas suas necessidades de uso. Se um celular com MeeGo se encaixa nas suas necessidades de uso diárias, então esse é o melhor sistema para você.

Então, qual o seu ponto? Que só rico pode ter celular? Que só celulares acima de mil reais prestam?

Meu ponto é que a desinformação, em qualquer área que você pensar, pode gerar opiniões preconceituosas sem fundamento. Eu criei uma aversão ao Android em pontos que na verdade não são razões para rebaixá-lo. Era eu quem esperava demais de um celular de baixa performance achando que ele seria uma maravilha só por conter um sistema que é usado com mais universalidade.

Há uma semana eu comprei um Galaxy SII. É, um Android smartphone. Sadomasoquista? Talvez, mas ele me fez enxergar o óbvio: não se usa low-ends para fazer comparações com high-ends. Apesar de ser algo retardamente óbvio a quem lê, isso é dito e feito diariamente por aí por muita gente. O cara compra um smartphone Android por 300 reais, olha o que o iOS faz no iPhone com toda aquela fluidez, olha os problemas que o sistema tem no celular dele por não ter processamento o suficiente para que rode com maior “conforto” e reclama. E além de reclamar, fala que o sistema é uma bosta e endeusa outro, sem, na verdade, ter o conhecimento de nenhum dos dois.

Um celular low-end pode sim ser uma boa pra você, desde que você se informe antes. Que não crie expectativas lendo sobre fatos de celulares high-end ou até mid-end. Parece o óbvio, mas isso é difícil de se ver. Eu acredito que tenho uma boa bagagem de informações em área de tecnologia e pequei nisso. Por que alguém que não tem interesse na área não cairia com ainda mais facilidade nesse buraco? Não se compra um celular high-end se você não vai aproveitar a maioria das suas funções. Assim como não se compra um celular low-end só porque é mais barato, sendo que você precisa de maior processamento, porque com certeza, mais pra frente, vai querer pegar um melhor e dificilmente vai reaver pelo menos 80% do que pagou pelo antigo, sendo assim, prejuízo em dobro.

A falta de informação faz com que você se decepcione e gaste dinheiro à toa, seja com um celular que custe 200 reais, seja com um que custe 2000 reais ou mais. Se você cria expectativas sobre coisas que não são possíveis no que vai comprar, então você vai se decepcionar, vai ter dores de cabeça e vai xingar, sem ao menos saber se está correto nisso ou não.

Talvez a melhor dica que dou é que se descubra quais são as peculiaridades de cada sistema e de cada celular e quais dos problemas não vão te incomodar. Por optar por um modelo mais certo ao meu uso, hoje acho que fiz uma boa compra. Gastei mais com o atual do que com o antigo smartphone, mas a sensação de prejuízo é extremamente menor. E, pra mim, é isso o que mais anda valendo.

comentários
  1. dipnlik disse:

    Só não entendi porque excluir a opção de comprar aparelhos mais antigos com iOS. Eles continuam sendo comercializados justamente pra ser os aparelhos low-end/mid-end com iOS.

    Mas de resto, falou tudo, especialmente a parte sobre não comparar Android com iOS sem fazer distinção entre as categorias de aparelhos.

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